Por que existe Tucunaré na Flórida, e porque ele é protegido por lei?

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Por que existe Tucunaré na Flórida, e porque ele é protegido por lei?

Tucunaré na Flórida? Todo pescador que acompanha as redes sociais tem visto cada dia mais fotos de Tucunarés sendo fisgados em território estrangeiro, principalmente no Estado da Flórida, nos Estados Unidos.

O Tucunaré é original das bacias da América do Sul, de regiões com clima predominantemente quente. Sua presença nos rios e lagoas do hemisfério norte é devido a introdução realizada por seres humanos.

Vale lembrar que existem diversas maneiras de introduzir espécies de peixes não nativas em um habitat, porém hoje vamos falar sobre um caso de introdução proposital e de ordem científica.

O motivo inicial: Controle Populacional de espécies invasoras!

Isso mesmo, o Tucunaré presente nos canais da cidade de Miami foram inseridos propositalmente. Os canais que cortam a cidade foram construídos pelo homem para evitar enchentes e alagamentos, uma maneira de drenar a água com mais facilidade.

 A introdução do Tucunaré ocorreu em 1984 quando cientistas perceberam que os canais e lagoas da cidade estavam com uma população de peixes não nativos que estavam acabando com as espécies nativas. Em especial as Tilápias e Oscars (não nativas), estavam dificultando a desenvolvimento do Black Bass (nativo).

O método de controle populacional da Tilápia seria com a introdução de um predador, porém qual seria o predador perfeito e que realizasse o menor impacto no resto do ecossistema?

A resposta para esse problema foi a introdução do Tucunaré, conhecido como Peacock Bass (Bass Pavão) devido as suas cores e por seus métodos de comportamento parecidos com o Black Bass. Apesar das semelhanças de comportamento, o Tucunaré não pode ser considerado um Bass, e sim um Ciclideo.

Assim como o Black Bass, o Tucunaré também tem hábitos de emboscada e se esconde em estruturas. Porém sua dieta alimentar é basicamente pequenos peixes, diferente do Bass que costuma se alimenta de criaturas como lagostas, lesmas e outros animais. Assim o resultado foi a redução da população de Tilápias, e um baixo impacto nas populações de peixes nativos.

Outro fator decisivo foi o controle climático do Tucunaré, uma vez que os cientistas não desejavam solucionar um problema e causar outro problema.

Ou seja, o Tucunaré inserido na região de Miami não consegue se proliferar pelo resto do país devido às baixas temperaturas. Esse controle biológico foi decisivo para que o Tucunaré fosse introduzido.

Consequência positiva: Aquecimento do mercado de pesca esportiva

Nós brasileiros sabemos que o Tucunaré é um peixe de briga e que ataca sem piedade suas presas, fazendo a pesca com iscas artificiais ser extremamente emocionante.

Com o passar dos anos, a população de Tucunaré nos canais de Miami cresceu em quantidade e tamanho, fazendo do tucunaré um alvo dos pescadores esportivos.

Essa consequência trouxe para a cidade um movimento de economia local da pesca esportiva, fomentando o comércio de equipamentos de pesca, guias de pesca e outras necessidades obrigatórias como: combustível do barco, licença de pesca e alimentação. Atualmente estima-se que o Tucunaré movimente de 5 a 8 Milhões de dólares no Sul da Flórida.

Quotas e Limites de pesca do Tucunaré na Flórida

Mesmo sendo um peixe não nativo, os grupos de gestão e manejo da vida selvagem entendem a importância da conservação do Tucunaré na Flórida.

Dessa forma é definido que cada pescador pode transportar por dia:

  • 2 Tucunarés Amarelo;
  • Apenas 1 pode ser maior que 43 centímetros de comprimento total.

Portanto, esse caso é fundamental para o diálogo conservacionista da pesca esportiva no Brasil. Não significa que deve ser copiado, porém podemos notar alguns pontos curiosos para um debate mais saudável, para melhorar as regras de pesca esportiva em nosso país.

Primeiro, vamos entender que assim como na Flórida, o Tucunaré também é considerado não nativo em várias Bacias de nosso país, principalmente na região Sudeste.

No Estado de São Paulo temos um fluxo de pesca do Tucunaré que movimenta a economia no comércio de equipamento, turismo e outros gastos. Porém, ao contrário de Florida a pesca do Tucunaré não obedece nenhuma regra de quota. Logo temos pontos a discutir:

  • Cabe a nós promover a conservação de uma espécie não nativa justificada pelo crescimento econômico que a pesca esportiva dela proporciona?
  • Diferente da Flórida, o Tucunaré aqui não tem barreiras de baixa temperatura. A criação de uma regra de pesca poderia expandir ainda mais a população dessa espécie?
  • Visto que as áreas dominadas pelo Tucunaré em Miami são canais construídos pelo homem, e não espaços naturais. Seria possível trazer o mesmo raciocínio de conservação de espécies não nativa apenas para reservatórios não naturais?
  • A conservação de espécies não nativas que favorecem a pesca recreativa melhora a qualidade de vida dos praticantes e também favorece um maior contato com a natureza. Deveria ser esse um ponto a ser discutido?

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